Vestindo Letras
Por Letícia Mendonça.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Cúpula do Terror
Em cada fila
De ônibus
Os aparelhos de mp3, e celulares
Com fones de ouvidos
Contam e cantam segredos
As televisões gritam bombas
Enquanto os sofás se estendem
(preguiçosos)
Nos cantos das salas.
Os jornais espirram vírus
(e doenças)
E com suas tintas
Tatuam nos dedos e peles
[tatuam revólveres e presídios,
Foices que se esgoelam por latifúndios].
Os noticiários estapeiam cada figura
Cada figa de ponta cabeça
Que as portas barram
Para o lado de foraempanturrado,
o tempo palita os dentes
depois da carnificina maquiada.
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domingo, 27 de novembro de 2011
Vira-Face
O lirismo foi expulso
do poema
da cidade
com suas veias de concreto, água e excrementos
Alguma coisa escapou dos gabinetes
dos palácios e fronteiras
e ao cair da noite
(e das bolsas)
é destaque nos jornais das 00:00 hrs.
Escapou pela fibra óptica
uma soma de cordas
um coral
que canta em disparada percussão
Alguma coisa escapou
da coroa
O canto entornou
e entoa:
“God, save the
People! Save us! Save the people!”
A passarada foi expulsa dos morros
: quadro estampado na janela deste prédio
de condomínio
com sistema de segurança
(câmeras e cerca elétrica)
De dentro deste forte
se vê: quartos sobre quartos
(onde se amontoam (ex)pulsos)
e roupas hasteadas, esvoaçantes.
Abre-se a janela para ouvir o que evocam,
e alguma coisa sussurra
que esta cidade nunca fecha
e, para dilatar as veias (que pulsam)
descer e comprar uma aspirina
na drogaria 24 horas
(às 02:40 a. m.)
Uma lágrima
foi expulsa destes olhos
(que ao verem um made in China vagar pela noite)
lembraram dos teus
com aqueles dragões acesos em cada
(famintos por fazerem o tempo
da nossa geração)
Ah! Esses dragões!
são como um rasgo rosáceo
no azul do meu céu monótono.
Alguma coisa escapou do tempo
e eclodiu elevador acima
(uma vontade de unir dedos, mãos e espadas)
mas agora é tarde
amanhã ainda é quinta
a aspirina, efervescente
e alguma coisa
escapou desta mão
pensa.
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terça-feira, 27 de setembro de 2011
***
BINGO NO PARTIDO CONSERVADOR:
DA CINQUINA, UM JOGO DE TOALHAS
DA CARTELA CHEIA, UMA PISTOLA GLOCK 45.
(poema feito a partir de uma notícia de jornal)
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domingo, 14 de agosto de 2011
Poema sem título (um secreto tormento?)
I
Deitar a vista no horizonte retangular
e ver lugar pra pendurar as roupas
na tua casa de ossos e sangue.
Esquecer o bairro onde nasci
sentar no bar do centro
da cidade
onde os amigos
são nossos, e a conta simples:
você, eu, eles: cenas de única peça.
e o copo cheio
de metáforas pulsantes.
II
Beber de um gole só
e quebrar o copo
Depois, pegar um taxi e
pelo retrovisor,
despedir dos personagens (que
acenam sem encenação)
e voltar e defrontar-se
com o próprio lar:
um prédio inteiro
(cortiço corpo urbano)
com espaços para novas famílias.
E pendurar a placa
na entrada/saída ocular:
"Aluga-se quartos".
sábado, 23 de julho de 2011
O TEMPO QUE ESPERE
Para Fernanda de Aragão
O TEMPO QUE ESPERE
E pare
Em algum estacionamento
Com serviço de manobrista 24 horas
Não descascarei como as tintas
Dos prédios
Desta rua Jurubatuba
Nem vomitarei em óleo queimado
O hálito
Das avenidas (e dias):
= os meus atalhos
Não trafegarei para os becos escuros
Do esquecimento
Nem acolherei os malabaristas dos faróis
Sob o ideal pichado nos outdoors
[de fazer girar (a economia; a cidade; os ponteiros)]
O tempo que espere
Na poltrona
No pátio
Ou no raio que o parta
Que eu só permitirei este encontro
(de espasmos e cabelos brancos)
Em alguma ressaca
Domingueira.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
na sua frenética rotina, e calmamente
ele desvia das carcaças desconhecidas
(de rostos em branco)
entre o virar de chave
às 7:00
e outro
às 20:25
são os mesmos slides:
garagem
trânsito
buzina
escritório
buzina
trânsito
garagem.
E depois o sono
compactado em uma cápsula de lexotan.
ele desvia das carcaças desconhecidas
(de rostos em branco)
entre o virar de chave
e outro
são os mesmos slides:
garagem
trânsito
buzina
escritório
buzina
trânsito
garagem.
E depois o sono
compactado em uma cápsula de lexotan.
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