sexta-feira, 11 de dezembro de 2009



Olhe, quão brilhosa sou sendo ébria
Sou Paris renovada em cada canto da pele
exalando pelos poros pares de sinfonias de festas
fazendo-me piano para o virtuose dedilhar-me as teclas

Quão obreira sou sendo ébria
peixe e arroz na panela de barro
toalha de linho, duas taças de vinho, minha mesa oferta
quão arquiteta das minúcias sou sendo ébria

E quão briosa sou sendo ébria
as pupilas dilatadas sentem o cheiro das cores
quando na íris se instala a prata polida do ego
e dança um carrossel no fundo do espelho mais sério

É a janela que nunca se fecha
sendo ébria, pinto-me nos livros
e me finco bandeira na Terra.