domingo, 14 de agosto de 2011

Poema sem título (um secreto tormento?)

I

Deitar a vista no horizonte retangular
e ver lugar pra pendurar as roupas
na tua casa de ossos e sangue.
Esquecer o bairro onde nasci
sentar no bar do centro
da cidade
onde os amigos
são nossos, e a conta simples:
você, eu, eles: cenas de única peça.
e o copo cheio
de metáforas pulsantes.

II


Beber de um gole só
e quebrar o copo
Depois, pegar um taxi e
pelo retrovisor,
despedir dos personagens (que
acenam sem encenação)
e voltar e defrontar-se
com o próprio lar:
um prédio inteiro
(cortiço corpo urbano)
com espaços para novas famílias.

E pendurar a placa
na entrada/saída ocular:
"Aluga-se quartos".

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