Ele apareceu sem chamar atenção. Naquele momento, não passava de um estranho pouco interessante!
Foi ao longo do dia que foi construindo um espaço para si mesmo. Era como uma estrela que brilhava quando seus olhos tocavam nos dela. E aquilo foi crescendo.
Ímã que atrai, mesmo tendo os pólos iguais;
Um mundo de possibilidades trocado naqueles olhares. Poucas palavras, muita solidão.
E quando a mão dele tocou na cintura dela o mundo se dividiu, com um tempo só para os dois e outro paralelo para o resto insignificante do que havia de resto.
Os olhos dela lacrimejaram de desejo, acompanhando a gota de suor que percorreu toda a sua espinha dorsal. As células de seu corpo se agitavam em um mundo de águas que agitavam outras águas.
E projetando um futuro certo, no mesmo instante em que aqueles dois mundos se conectavam na superfície da mão dele com a cintura dela, ela via os dois se amando como se há muito haviam prometido.
Via a cena dos dois na cama, entre lençóis de seda, e a mão dele escorregando da citura para os quadris, e depois para a parte posterior das coxas. Via os corpos trocando suores e ardores de duas vidas premeditadas.
E depois, já na calma do corpos satisfeitos, ela via os seus seios de mãe oferecerem um abrigo para a cabeça e os conflitos de um garoto amador, no abrigo que seria a verdade de duas criaturas sem passado. Abrigo nu, mas vestido de glórias.
Via tudo isso em um instante infinito, dizendo-lhe com o olhar e com a pele que, o que ele procurava, acabara de encontrar.
Mas ele não entendeu!
Desconectou sua mão da cintura dela, fazendo-a entrar em uma queda sem fim, no silêncio de um mar tempestuoso, de um abismo sem chão, de um vazio e uma falta que se instalavam mesmo em seu corpo.
Ele não entendeu, mas sentiu, e teve medo!
Teve medo e se foi, em busca de outra mentira qualquer.
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sábado, 15 de março de 2008
terça-feira, 4 de março de 2008
Fuga
As mesmas conversas cansadas,
As mesmas palavras cifradas,
Silenciosamente disfarçadas, sem vida e sem graça!
À minha frente, uma dança de bonecos
brincando de repetir.
Repetição que não ilude mais!
Que não mora mais e nem destrói mais!
O sentido se esvaziou quando deixei de sentir!
Preciso calar em outro abismo.
Em um espaço que não tenha a minha cara estampada,
Mas que seja a sombra do meu rosto!
Que tenha meu jeito, o meu gosto!
Qualquer canto em olhar desconhecido.
E que este lugar me mostre as velhas cores inéditas,
Que me seduza com cheiro de maçã verde,
Com inverdades macias, fantasias intrépidas.
Que me devolva a minha saudade perdida,
Não pertencente ao tempo, mas à vida.
Para preencher o meu lugar de vazio,
E para reiniciar a minha busca,
Esperançca renovada em fuga!
Pois a morte, quando mal feita, torna-se conpanhia do sempre.
E já não suporto mais essa minha sombra dentro de mim mesma!
As mesmas palavras cifradas,
Silenciosamente disfarçadas, sem vida e sem graça!
À minha frente, uma dança de bonecos
brincando de repetir.
Repetição que não ilude mais!
Que não mora mais e nem destrói mais!
O sentido se esvaziou quando deixei de sentir!
Preciso calar em outro abismo.
Em um espaço que não tenha a minha cara estampada,
Mas que seja a sombra do meu rosto!
Que tenha meu jeito, o meu gosto!
Qualquer canto em olhar desconhecido.
E que este lugar me mostre as velhas cores inéditas,
Que me seduza com cheiro de maçã verde,
Com inverdades macias, fantasias intrépidas.
Que me devolva a minha saudade perdida,
Não pertencente ao tempo, mas à vida.
Para preencher o meu lugar de vazio,
E para reiniciar a minha busca,
Esperançca renovada em fuga!
Pois a morte, quando mal feita, torna-se conpanhia do sempre.
E já não suporto mais essa minha sombra dentro de mim mesma!
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