Páginas

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

BRUXA À SOLTA

Uma dorzinha na ponta do dedão logo de manhãzinha já avisava que o dia seria negro. E não dei ouvidos. No almoço, aquela companhia desconfortável, e a farofa que não descia goela abaixo. Silêncio e meditação, uma boa pedida. Mas eu gostaria mesmo era de alguma viagem ao centro da Terra. Minas Gerais, Salvador. Outro dia sonhei. Subia e descia ladeiras chão de paralelepípedo. Cidade calma, bonecos mamulengos sentados na frente das casas, como no interior. Vendo o dia passar sem pressa nem urgência. Estavam sorrindo e me convidando a entrar e ficar. Mas aqui? Não! Aqui é ontem. Quando não antes de ontem. Nunca vi um hoje que fosse hoje. Talvez na infância.
Mas agora está tão longe que parece até futuro.
E sentei na frente do computador. Tarefas, e-mails, e as esperadas respostas: zero. Abri o cronograma. Surpresa! Era pra ontem! Agora foi-se tudo por água abaixo. Juntei uma citação aqui, uma frase bonita acolá. Google acadêmico, mas nada que prestasse. E reza para Iemanjá, mãe da criação. Odoyá minha mãe! Que preciso de criatividade. Fluiu. Ou deu pro gasto, melhor que nada!
Janela do msn pula. A amiga dizendo pr'eu ligar pra ela mais tarde. Tá com o parente doente. Claro! Sempre apostos, a melhor amiga dos amigos. Hora do inferninho. O combinado não saiu caro, mas foi pro ralo. Prova chegando, e estudar é luxo. "Temos que nos reunir", diz a outra. O trabalho é pra semana que vem! Falar de trabalho? Qual o quê! Variados assuntos na mesa das princesinhas. O stress latejando bem na garganta. Era mesmo vontade de gritar. Segurei e assisti. Finalmente em casa. Hora de ligar pra amiga. E adivinha? Cadê meu celular? Perdi! Perdi meu celular nada de playboy!
Uma risada maligna! Soprei com a garganta. Mas saiu alto! E a vontade de quebrar os cristais!
Hoje, o dia foi das Bruxas!

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

O LEVANTE

O desconhecido me deu um tiro

nocaute



o disco vencido perdeu-se no lixo

nocaute



o descomprometido ardeu em seu vício

nocaute



o destemido esqueceu o sorriso

nocaute



o desmedido escorreu para o limbo

nocaute



o desperdício doeu em meu timo

nocaute



Cara na lona, de novo



mas eu:

nunca depressão

às vezes morro

e sempre pico

(a minha mula).