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terça-feira, 29 de abril de 2008

Poema Metaforizando (sem título)

Ele era o retrato da cadeira vazia
Coberta de lágrimas frias
Sempre calado e cheio de manias.
E a via como a bandeira da camisa aberta
Porta macia para as grandes descobertas.
Explicava e caminhava
Como um par de brincos reluzentes
E ele observava. Estrada de terra crescente.
Ardente.
Aluno atônito. Platônico.

Foi chamado para o exercício.
E no sacrifício, lutava para afogar a criança amordaçada
Que em seus olhos gritava.
Agitava as mãos trêmulas, suadas
E cadê as palavras?

Foi quando sentiu a mão em seu ombro
Um sol quente na pele escorria por todo o corpo
E como mágica, em um sopro
Pronunciou calmamente.
-Correto. Ouviu de repente
E com as bochechas rosadas do sucesso
Saiu da sala com o mundo de mãos dadas
Com o semblante da professora e suas palavras
Nadando em um mar de guarda-sol amarelo.


segunda-feira, 21 de abril de 2008

O pintor e a bailarina

Da platéia, o pintor observou a bailarina.
Cobiça.
Procurou-a e acompanhou-a num passeio.
Copos, bebidas, beijos.
Pliés e pincéis combinavam-se com perfeição.
Corpos em brasa. Paixão.
E embebidos pelo prazer da empolgação
Poemas,
Promessas,
Expectativas,
Problemas.

O pintor parou, pintou e partiu.
E a bailarina abandonada,
No abismo da paixão inacabada,
Petrificou-se em poesia: uma pintura desbotada.

sábado, 19 de abril de 2008

Lua Cheia


O céu estava de um azul que convidava ao mergulho.
Mas e o que ela faria com o medo?
Foi quando a Lua interveio.
Cheia,
Plena,
Imponente.
Falou com sua voz branca e branda de sabedoria:
"Não fique esperando pelo grande evento! Seja você mesma o melhor evento.
E verás como até o vento assobiará só para ver seus cabelos voarem!"
E ela fez de si mesma uma festa constante, uma estrela brilhante, e morou no céu como uma lenda!

terça-feira, 15 de abril de 2008

Poema aliterando P

O pequeno Paulo,
Pimpolho esperto,
Empinava pipa
Na pedra polida
E o pai, preocupado,
Preparou, de palmito,
Uma primorosa pizza.

sábado, 5 de abril de 2008

Sol

Na sombra solitária e segura
Morava eu, estrela apagada e escura
Sobrecarregada de mágoas e suturas.

Sentindo acariciar a pele e os pêlos
O sol quente quebrando o gelo
Amolecendo a pedra e afugentando o medo
Acordei para me apossar da vida (minha).

De um sopro para o meu lugar
Ressuscitei assim
Quando encontrei o sol do seu olhar.