Hoje, quero andar só
sentir o sol
sentar sobre a pele
o assobio do vento
sem contar o tempo
assistir o dia passar sonolento
e, ao primeiro bocejo
voltar pro lençol
Hoje, vou ganhar a cidade
vou entrar no cinema
às quatro da tarde
vou contemplar os pássaros
os lagos, os lares
os mares de carro
e degustar Saramago
Hoje, na casa da amiga
vou, de longe, vê-la
mas sem ser vista
só pra ter certeza
que ainda existe
Hoje, vou seguir a luz da lua
passar pelos bares
subir largas ruas
sentar em alguma mesa
inventar-me estrela
trombar desconhecidos
semear meu sorriso
e colher mais amigos
Hoje
serei só sincera
sincera comigo
comigo e
só