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sexta-feira, 13 de junho de 2008

Caminhos e Crenças

Acreditei nas cores e nas constelações
Encontrei gados agonizantes
Acreditei nas graças
Encontrei-me nos pecados
Acreditei no gozo da vingança
Encontrei comida na carne do cacto
Acreditei na riqueza e na elegância
Encontrei-me mendiga, cuidei de criança
Acreditei em milagres, converti-me em castidade
Encontrei o capeta, brinquei com a caveira
Acreditei nos cometas
Encontrei grutas e escuridão
Acreditei nas cascatas e cachoeiras
Encontrei séculos de seca
Acreditei em conversas de amigos
Encontrei compromissos e enganação
Acreditei na construção da casa
Encontrei-me grávida e desacompanhada
Acreditei no canto do canário
Encontrei encanto nas madrugadas
Acreditei nas longas cavalgadas
Encontrei encruzilhada e pororoca
E, quando acreditei-me gigante e completa
Encontrei-me aqui, crua e caótica

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Eu e minha natureza

Quem sabe abismo?
Quem sabe ouriço?
Quem sabe relva?
Ou quem sabe floresta?
Quem sabe rosa ou violeta?
Ou quem sabe apenas glúteos, vulva e tetas?

Quem sabe diamante?
Quem sabe vento frio e cortante?
Ou quem sabe, mormaço e brisa?
Quem sabe boca, pêssego e saliva?
Quem sabe deserto, urubu e carniça?

Quem sabe petróleo? Quem sabe gruta?
Quem sabe semente e plantação?
Quem sabe cume, ou estrume?
Quem sabe mato e formigueiro?
Ou quem sabe arco-íris e constelação?

Quem sabe, oh céus, o que eu sou?