Nesses peitos de barro
da negra e do branco
Misturando almas
no abraço
Pára e repara
No pálido joelho barro
Da senhora que ora
Olhando para o alto
Pára e repara
Nessas lágrimas de barro
Que lavam a face
Da mulher de grinalda
Pára e repara
Nas cálidas mãos de barro
Que marcam de grãos
Engravidando o arado
Pára e repara
Nos pardos olhos barro
Da criança magra
Fixados
Em verdes mangas penduradas
Pára e repara
Nos pés de barro na estrada
Suportando calos
Deixando para trás
O árido
Pára e repara
Nos maltratados dedos barro
Que tábua por tábua
Levantam o barraco
Preparam sua morada
Pára e repara
Nesses braços de barro
Que arrastam o barco
Lançando-se ao mar
Atrás do pescado
Pára e repara
Nas gargantas de barro
Que diante do fato
Gritavam nas calçadas:
- Barack, Barack!
Pára e repara
Nesse humano que é barro
Um barro moldado
Moldado na esperança.
***
Este poema também se encontra no site do Jornalirismo. Aproveito para desejar que todos tenham muita esperança em 2009. Pois ela é a partida, de uma chegada nem sempre certa, mas de um meio repleto de momentos que fazem a vida valer a pena!
É assim que o meu ano começa.
Então, Tin-tin!
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