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terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Barro

Pára e repara
Nesses peitos de barro
da negra e do branco
Misturando almas
no abraço

Pára e repara
No pálido joelho barro
Da senhora que ora
Olhando para o alto

Pára e repara
Nessas lágrimas de barro
Que lavam a face
Da mulher de grinalda

Pára e repara
Nas cálidas mãos de barro
Que marcam de grãos
Engravidando o arado

Pára e repara
Nos pardos olhos barro
Da criança magra
Fixados
Em verdes mangas penduradas

Pára e repara
Nos pés de barro na estrada
Suportando calos
Deixando para trás
O árido

Pára e repara
Nos maltratados dedos barro
Que tábua por tábua
Levantam o barraco
Preparam sua morada

Pára e repara
Nesses braços de barro
Que arrastam o barco
Lançando-se ao mar
Atrás do pescado

Pára e repara
Nas gargantas de barro
Que diante do fato
Gritavam nas calçadas:
- Barack, Barack!

Pára e repara
Nesse humano que é barro
Um barro moldado
Moldado na esperança.

***
Este poema também se encontra no site do Jornalirismo. Aproveito para desejar que todos tenham muita esperança em 2009. Pois ela é a partida, de uma chegada nem sempre certa, mas de um meio repleto de momentos que fazem a vida valer a pena!
É assim que o meu ano começa.
Então, Tin-tin!

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Lua

Seu sussurro de soberana
semeia
alucina
assombra

Seu sussurro de segredos
assume a cidade
nua
cidade sua

Seu sussurro macio
sobe os céus e as ruas
cintila
sonda
assusta

Seu sussurro seco
feitiços de cigana
suga o suco
do sereno

Seu sussurro no silêncio
atravessa os sonhos
assola
o avesso do sossego

Seu sussurro sem censura
expressa e merece mesura
musa lúcida
suave fissura

Seu sussurro pulsa
e sinto renascer-me assim
sempre nova
sempre crescente
sempre
Lua

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Este poema também se encontra no site www.jornalirismo.com.br.
Dê uma passadinha por lá e confira! Vale a pena.