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terça-feira, 13 de maio de 2008

Valsa, sabiá

Valsa no ar sabiá, em casta liberdade
Liberdade vasta na amizade
Amizade larga de abraços
Abraços, dádiva de laços
Laços, lágrimas e gargalhadas
Gargalhadas cálidas nas faces
Faces calmas, paz ensolarada
Ensolarada tarde, o sabiá valsa
Valsa em homenagem à amizade.

terça-feira, 6 de maio de 2008

BOLA

É pele com pele,
É aperto de mão,
Platéia aplaudindo de pé,
Serpentina, samba e salão.
É pérola em exposição.

Pula, passa, pinga a bola.
E na memória, quantas histórias!

É pai observando o parto,
Público e primavera no parque.
Balões e palhaços.
É a beata e o padre,
E do bebê, os proimeiros passos.
É o planeta debaixo dos braços.

Pula, passa, pinga a bola.
E na memória, tantas histórias.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Poema Metaforizando (sem título)

Ele era o retrato da cadeira vazia
Coberta de lágrimas frias
Sempre calado e cheio de manias.
E a via como a bandeira da camisa aberta
Porta macia para as grandes descobertas.
Explicava e caminhava
Como um par de brincos reluzentes
E ele observava. Estrada de terra crescente.
Ardente.
Aluno atônito. Platônico.

Foi chamado para o exercício.
E no sacrifício, lutava para afogar a criança amordaçada
Que em seus olhos gritava.
Agitava as mãos trêmulas, suadas
E cadê as palavras?

Foi quando sentiu a mão em seu ombro
Um sol quente na pele escorria por todo o corpo
E como mágica, em um sopro
Pronunciou calmamente.
-Correto. Ouviu de repente
E com as bochechas rosadas do sucesso
Saiu da sala com o mundo de mãos dadas
Com o semblante da professora e suas palavras
Nadando em um mar de guarda-sol amarelo.


segunda-feira, 21 de abril de 2008

O pintor e a bailarina

Da platéia, o pintor observou a bailarina.
Cobiça.
Procurou-a e acompanhou-a num passeio.
Copos, bebidas, beijos.
Pliés e pincéis combinavam-se com perfeição.
Corpos em brasa. Paixão.
E embebidos pelo prazer da empolgação
Poemas,
Promessas,
Expectativas,
Problemas.

O pintor parou, pintou e partiu.
E a bailarina abandonada,
No abismo da paixão inacabada,
Petrificou-se em poesia: uma pintura desbotada.