Havia vida na valsa
vinda da vizinhança
Ela ouvia
e o vento
uivava
Havia vida no vestido
de fitas vermelhas
Ela o vestia
e o vento
o esvoaçava
Havia vida no verde
da folha flutuante
Ela varria
e o vento
a levantava
Havia vida na vela
evocando o divino
Ela em vigília
e o vento
acompanhava
Havia vida nas fotos
convocando a infância
Ela, formiga
e o vento
a acariciava
Havia vida no ventre
da jovem na varanda
Ela comovida
e o vento
a amava.
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