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segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Lua

Seu sussurro de soberana
semeia
alucina
assombra

Seu sussurro de segredos
assume a cidade
nua
cidade sua

Seu sussurro macio
sobe os céus e as ruas
cintila
sonda
assusta

Seu sussurro seco
feitiços de cigana
suga o suco
do sereno

Seu sussurro no silêncio
atravessa os sonhos
assola
o avesso do sossego

Seu sussurro sem censura
expressa e merece mesura
musa lúcida
suave fissura

Seu sussurro pulsa
e sinto renascer-me assim
sempre nova
sempre crescente
sempre
Lua

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Este poema também se encontra no site www.jornalirismo.com.br.
Dê uma passadinha por lá e confira! Vale a pena.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

VIDA NA VARANDA

Havia vida na valsa
vinda da vizinhança
Ela ouvia
e o vento
uivava

Havia vida no vestido
de fitas vermelhas
Ela o vestia
e o vento
o esvoaçava

Havia vida no verde
da folha flutuante
Ela varria
e o vento
a levantava

Havia vida na vela
evocando o divino
Ela em vigília
e o vento
acompanhava

Havia vida nas fotos
convocando a infância
Ela, formiga
e o vento
a acariciava

Havia vida no ventre
da jovem na varanda
Ela comovida
e o vento
a amava.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

TILIN-TIN

A brisa eucarística
lá em cima, os sinos
e tilin-tin
tilin-tin
tilin-tin
noite e dia

tilin-tin
de mansinho
e a beata
desvia

tilin-tin
sol a pino
e a companhia
canina

tilin-tin
com preguiça
e o empresário
se esquiva

tilin-tin
repetido
na barra
do bispo

A brisa eucarística
lá em cima, os sinos
e tilin-tin
tilin-tin
tilin-tin
noite e dia

tilin-tin
reprimido
e o cheiro
de vinho

tilin-tin
pouco tímido
e careta
do cínico

Tilin-tin
bem baixinho
e o amarelo sorriso
do doutor político

Tilin-tin
oprimido
e o pão repartido
aos senhores da missa

A brisa eucarística
lá em cima, os sinos
e tilin-tin
tilin-tin
no alumínio
do mendigo.