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sábado, 7 de abril de 2012

TRÊS PONTOS E UMA COSTELA*

1.

Lavar as roupas brancas, comprar um novo micro-ondas, pagar as faturas vencidas, contratar
Uma nova faxineira, terminar o projeto do trabalho, buscar o carro no mecânico, lixar
As paredes, começar um curso de pós, trocar os canos da pia, limpar o armário, pintar
As paredes do quarto, ir às reuniões de pais, pregar as prateleiras, comprar
Roupas novas, malhar os glúteos, hidratar os cabelos, declarar
O Imposto de Renda, depilar o pelos, ligar
Para o dentista, trocar
A resistência

E empacotar os sutiãs velhos.

2.

Naquela manhã
Gastou uma hora no banho
Reforçou a curva dos cílios.

Deixou uma parte do peito à mostra
Amarrou um laço no trinco
E saiu.

Abriu o guarda-chuva
(era como abrir um bilhete premiado)


Olhava as ruas
Sem atravessá-las.
(as duas calçadas eram suas).

Riu da sua imagem no vidro da loja.
entrou, comprou dois óleos e uma lingerie

Jogou farelo de pão no jardim
(queria dar de comer aos pássaros).

 Desde a noite passada
Sentia-se prenhe.


3.
Mas há os dias de acetona
(Nas unhas,
Na pele,
Nos olhos).

Do cabelo desmanchado,
Pernas cruzadas
(Elas e as cortinas fechadas)

De quebrar a porcelana, e deixar o pó
Consumir a casa

Há os dias em que a boca
(saciada)
Arranca sangue dos seios
(dias de calar o ventre)

Ponto em cruz
E linhas inacabadas
Para uma costela feita de carne.

______________________
*Poema anteriormente publicado no Jornalirismo.

4 comentários:

Lucas Bronzatto disse...

Muito bom Letícia!!
Muito mesmo!

Su Simon disse...

Fazia tempo que não lia você, que prazer de leitura... muito bom mesmo!
sdds
Su

Letícia Mendonça disse...

Obrigada Su e Lucas.

E como me faz falta nossas tardes de poesia!

Beijos.

Paulinha disse...

Oi, Letícia!
Adorei suas poesias, parabéns!

Beijos,
Paula